Segunda-feira, Junho 29, 2009

Do Luabo

Luabo - Sena Sugar
Luabo - Igreja
Luabo - Domingo de Futebol

Segunda-feira, Maio 25, 2009

Era uma vez o Riviera



Foto by khunkristi

Domingo, Maio 24, 2009

A Zambézia de A a Z


A - Alto Molócue

Vila e sede de distrito situada 350 quilómetros de Quelimane e 200 de Nampula, em plenas montanhas da Alta Zambézia, não muito longe do rio Ligonha, divisão natural das duas províncias. Recentemente, em Abril de 2006, o Alto Molócue foi um dos dez distritos que ascendeu à categoria de Município.

B - Bicicleta

É o meio de transporte mais popular na Zambézia. À entrada de Quelimane circulam em maior número que os carros. Outra coisa, única no país, são as bicicletas-táxi que circulam um pouco por toda a província e, sobretudo, na capital. Aqui, o fenómeno surge, com particular força em finais de 2006 e alastrou-se de tal maneira que hoje Quelimane pode ser considerada a cidade das bicicletas. Os preços variam de 5 a 15 meticais dependendo naturalmente das distâncias a percorrer. Após as 18 horas, os preços são agravados, pagando-se um mínimo de 7,50 meticais, aumento justificado, no dizer dos taxistas, pelos riscos que correm.

C - Chuabo


O Chuabo é a língua falada na região à volta da cidade de Quelimane. É uma língua banto, da grande família Níger-Congo e do grupo das línguas Emakhuwa. 7% da população moçambicana tem esta língua como materna.

D - Donas

D. Ana do Chinde, D. Macacica, D. Ignácia Benedita da Cruz são alguns nomes das célebres Donas da Zambézia. Normalmente, estas mulheres eram mestiças filhas de portugueses e de negras ou goesas. Surgiram no século XVII e foram até meados do século XIX, quando foram extintos os chamados prazos da Coroa - vastas concessões de terras administradas ao estilo feudal. Muitas destas donas herdaram fortunas fabulosas, acabando por deter um grande poder na sua área de jurisdição.

E - Elomwe


Com 8% de falantes, o Elomwe é a terceira língua mais falada em Moçambique, depois do Macua (26%) e do Changane (11%). Fala-se um pouco por toda a Zambézia por excepção das zonas circunvizinhas da cidade de Quelimane.

F - Frango à Zambeziana


O frango está para a Zambézia como o cabrito está para Tete: é o prato favorito. Os ingredientes são: frango, limão, sal grosso, alho, coco, piripiri. Hoje é um prato consumido no país inteiro.

G - Gurúè

Conhecida no tempo colonial por Vila Junqueiro, a povoação do Guúè não é de acesso fácil. Mas a sua beleza vale bem uma visita. A grande imagem que marca é a enorme extensão de campo verde ocupado pelas plantações de chá, as maiores de Moçambique. O clima é fresco e a paisagem faz lembrar, em alguns locais, o norte da Europa. A vista dos socalcos verdes das plantações de chá é fabulosa.

H - Hotel Chuabo

Com os seus oito pisos é o edifício mais imponente de Quelimane. A “olhar” o rio, o Chuabo foi construído nos anos ´60 quando a Zambézia prosperava. Nessa altura, Lindolfo Monteiro, o maior empresário da região, mandou edificar este grandioso hotel com 130 camas, 63 quartos, restaurante e snack-bar. No interior, há saborosos pormenores de arquitectura como a larga escada em caracol que dá acesso aos andares superiores. Os quartos são espaçosos, destacando-se nas paredes os quadros com motivos piscatórios portugueses. Depois de 30 anos entregue ao Estado, o Chuabo voltou à exploração privada em Novembro de 2005.

I - Igreja Nossa Senhora do Livramento

Também conhecido por Catedral Velha, este templo, localizado na marginal de Quelimane, foi construído no último quartel do século XVIII. Nas lajes do seu chão repousam os restos mortais de ilustres portugueses que governaram a Zambézia. Necessita de urgentes obras de restauro, sob pena de ruir definitivamente.

J - João Correia Pereira


Natural da cidade nortenha portuguesa do Porto, chegou à Zambézia em 1853, com apenas 13 anos. Não demorou muito a enriquecer com o comércio no interior, sobretudo de marfim. Figura muito prezada em toda a Zambézia, falava fluentemente várias línguas da região, tendo inclusivamente guiado o conhecido missionário escocês David Livingston quando este procurava os rápidos do Zambeze. Em 1877 fundou em Quelimane o semanário “O Africano”, o primeiro de Moçambique. Nas suas páginas bateu-se contra todo o tipo de injustiças e abusos do poder, tendo-lhe sido erguida uma estátua em Chinde.

L - Ligonha


Afluente do rio Lúrio, o Ligonha é a fronteira natural entre a Alta Zambézia e o sul da província de Nampula, tendo a sua foz na Ponta Macalonga, um pouco a sul de Moma. O seu leito é conhecido pela riqueza dos minérios.

M - Madal

Os descendentes de João Correia Pereira venderam a maior dos seus terrenos à Sociedade Madal, fundada no Mónaco em 1903. Entre os sócios fundadores da Madal contava-se o príncipe Alberto Honorato Grimaldi (trisavô do actual príncipe Alberto). Nesse tempo, tal como agora, a Madal dedicava-se à plantação de coqueiros e à criação de gado, com destaque para o óleo de coco. Na floresta de Mahinde, que também lhe pertence, existe hoje uma reserva de caça. Presentemente, a empresa encontra-se em grandes dificuldades financeiras correndo o risco de fechar as portas. 
 
N - Namúli
 
As serras, que estão em cima das plantações de chá, emprestam ao monte Namúli, com a sua altura descomunal - possui 2.419 m, sendo o segundo mais alto do país - um aspecto de esmagadora grandiosidade. Na época das trovoadas o espectáculo é tão belo, tão grandioso, que chega a meter medo.

O - Olinda


Fica situada do lado oposto da praia de Zalala, à entrada do Rio dos Bons Sinais, e é conhecida, sobretudo, pelo seu farol. Aos fins-de-semana é um local concorrido sobretudo por parte dos habitantes da capital.

P - Praia de Zalala

A praia é linda mas o caminho é ainda mais. Milhares de coqueiros ladeiam a estrada durante a maior parte dos 37 kms que separam Quelimane de Zalala. Esta vegetação densa termina num areal branco imaculado a perder de vista. Quando a maré está baixa o percurso até ao mar parece infindável. Aos fins-de-semana é igualmente muito concorrida.

Q - Quelimane

É a capital da província da Zambézia e uma cidade das mais antigas da colonização portuguesa. Quem chega a Quelimane vindo do Sul, a primeira impressão que tem é de sobrelotação. Efectivamente, à medida que a cidade se aproxima o formigueiro de gente dos dois lados da estrada vai engrossando. Os subúrbios são povoadíssimos só encontrando paralelo em Maputo e em Nampula. Aqui as casas são de adobe com telhados de palha, sendo as dos mais endinheirados de tijolo cobertas com chapa de zinco. A densidade populacional é elevadíssima, ou não fosse Quelimane a quarta cidade do país e a província da Zambézia a segunda mais populosa, depois de Nampula. Apesar de ser do tempo da velha colonização portuguesa, o aspecto geral de Quelimane, em termos urbanísticos e arquitectónicos é dos finais dos anos ´60, sendo o edifício do Conselho Municipal o seu exemplar mais típico. No centro da cidade, na Avenida 1 de Julho, fica a mesquita, um edifício moderno, interessante, com recortes superiores nitidamente de estilo mourisco.

R - Rio dos Bons Sinais


Na língua chuabo é conhecido como rio Cuácua, mas o navegador português Vasco da Gama quando aportou na sua embocadura, em 1498, chamou-lhe Rio dos Bons Sinais por entender que estava certo na sua rota para a Índia.

S - Sura


É uma bebida apreciada em quase todo o país, mas na Zambézia é mais vulgar. É feita à base da seiva da palmeira fermentada, tem aspecto de um vinho e quando doce, é bem agradável. De elevado teor alcoólico, embriaga com relativa facilidade.

T - Tchakare


É um instrumento cordófono, em que a corda passa directamente por cima da caixa de ressonância, assim como acontece na viola. Esta caixa de ressonância é normalmente feita de madeira coberta de uma membrana de pele de lagarto. O tocador segura o instrumento de modo a que a caixa fique encostada ao seu abdómen ou ao seu ombro. Com uma das mãos faz pressão sobre a corda para variar o som, ao mesmo tempo que ela é friccionada com o arco, que segura na outra mão. A corda deste arco é feita de raiz de “murapa” embebida em resina da árvore “chakari”. Em algumas regiões da Zambézia é conhecido também por siribo.

U - Undi


Título nobiliárquico criado no século XVII entre os maraves que resultou da uma cisão do título karonga. Undi, irmão de um karonga falecido, não se conformou com a preferência dada pelos conselheiros a um seu sobrinho, por isso decidiu separar-se levando consigo todos os membros femininos da linhagem real phiri. Este reino independente chegou a ocupar uma parte importante da província de Tete e do oeste da Zambézia.

V - Vila de Sena

Vila de Sena foi a primeira capital económica de Moçambique. Antes da colonização, segundo a tradição oral, a Fortaleza de Sena contava apenas com dois pigmeus, que falavam todas as línguas do mundo. Depois abandonaram misteriosamente a área, sendo actualmente substituídos por abelhas mágicas. Sena, que completou, em Maio, 247 anos de fundação, tem como referência obrigatória a sua fortaleza. A comunidade e as autoridades equacionam a possibilidade de realizar actividades de limpeza, arborização e vedação daquele local histórico e cultural, para acolhimento condigno aos turistas e pesquisadores do rico mosaico histórico e cultural moçambicano.

X - Xicundas


Espécie de pequeno exército de escravos que zelavam pela segurança dos prazos. Após a abolição da escravatura, no último quartel do século XIX, os xicundas passaram a sipaios da administração colonial.

Z - Zambeze

Conhecido também por Grande Rio - é o terceiro maior de África depois do Nilo e do Congo - é também ele que dá o nome à província e a toda a região. Nasce na Zâmbia, passa por Angola, estabelece a fronteira entre a Zâmbia e o Zimbabwe e atravessa Moçambique de oeste para leste, para desaguar no Oceano Índico num enorme delta na zona de Chinde. 
Tem 2.750 km de comprimento. A parte mais espectacular do seu curso são as Cataratas Vitória, as maiores do mundo, com 1708 m de extensão e uma queda de 99m. Este monumento natural foi inscrito pela UNESCO em 1989 na lista dos locais que são Património da Humanidade.
Existem duas grandes barragens no rio Zambeze: Kariba, na fronteira entre a Zâmbia e o Zimbabwe (e gerida conjuntamente) e Cabora Bassa, em Moçambique.

In, Jornal @Verdade

Sabores da Zambézia no Grande Maputo


Para quem deseja navegar num mar de delícias e em busca dos melhores sabores da tradicional cozinha moçambicana, o destino certo são os pratos da Zambézia. Para o efeito,  o @Verdade procurou, um pouco por todo o Maputo, lugares onde a cozinha da “terra do coco” é o cartão - de - visita e constatou que grande parte dos pratos confeccionados nesses lugares não faz jus à sua origem.

 

A cozinha moçambicana é uma das melhores do mundo, dispõe de um património bastante rico e uma grande variedade de receitas e de condimentos da mais alta índole gastronómica. Para além de ser muito rica e variada, possui sabores inigualáveis e uma qualidade quase sem precedentes.


Falar da gastronomia moçambicana é falar de sabores que se entrelaçam e à qual é impossível resistir. O impossível também é falar-se da cozinha moçambicana, sem se fazer menção a uma província das mais ricas em gastronomia: a Zambézia, lugar que foi buscar o nome ao rio Zambeze. Esta parcela de Moçambique é famosa, não só pelo grande rio, pelas enormes palmeiras, pelas vastas plantações de chá, mas também pela sua cozinha autenticamente tradicional e bastante condimentada.

A sua gastronomia é baseada no coco e caracteriza-se pela sua excelência e pelo apelo que faz aos paladares mais exigentes. Tem como pratos principais a mukapatha, a galinha à zambeziana e o mucuane.
É conhecida em quase todo o país, mas o “@Verdade” constatou que, no grande Maputo, poucas são as pessoas e restaurantes que conseguem preparar com o devido esmero, mantendo o sabor e o paladar da tradição zambeziana.

No grande Maputo, há uma data de casas especializadas na comida zambeziana, nas quais o prato mais popular é o frango à zambeziana. Aliás, dos diversos restaurantes e “take-aways” que servem pratos tipicamente daquela zona, alguns ostentam o nome da província mas confeccionam o prato mais famoso da gastronomia do ‘pequeno Brasil’ com o frango brasileiro e em moldes não tradicionais.

No cruzamento entre as avenidas Eduardo Mondlane e Amílcar Cabral podemos encontrar o Take-Away Frango à Zambeziana, um espaço bastante concorrido. O fim-de-semana tem sido o período de maior procura. Na avenida Mao Tse Tung, um pouco depois da esquina entre esta e a da Base N`tchinga, encontra-se o Restaurante Take-Away Zambézia, onde o prato típico da Zambézia que se pode saborear é o afamado frango. Os principais clientes são pessoas de classe média e média-alta.

São poucos os restaurantes que mantêm o sabor e o paladar típicos da região. Na ronda que o @Verdade efectuou pela cidade de Maputo, o único lugar digno de menção é o restaurante “O coqueiro”, sendo as seguintes as suas especialidades: mucapata, mucuani com camarão,  feijão nhemba e quiabo com camarão.

Tradicional e modesto. Essas são as únicas palavras que expressam rigorosamente o que é na essência o restaurante “O coqueiro”, que funciona na baixa da cidade de Maputo, concretamente na Feira Popular e tem uma história para contar.

A sua história perdura há vinte anos, quando Carima Khan da Graça, zambeziana com muito orgulho, por iniciativa própria e fundos próprios, decide abrir um restaurante que servisse especificamente comida típica da sua terra. No início, muitas pessoas não acreditavam no valor daquela casa de pasto. Rapidamente, tornou-se um sucesso para felicidade dela e dos seus visitantes. No começo, o restaurante tinha como público-alvo os naturais da Zambézia residentes na cidade de Maputo que desejassem matar saudades dos pratos da terra.

Porém, foi ganhando a simpatia de outros moçambicanos das mais diversas camadas sociais e origens. E não só. Também tem granjeado a simpatia de estrangeiros que visitam o país, dentre eles figuras de renome internacional na área musical, empresarial e político.

É um verdadeiro restaurante de família. Actualmente, sob responsabilidade de Marco Aurélio de Oliveira Graça, cozinheiro há mais de vinte anos, e seus irmãos, filhos de Carima da Graça, o restaurante caiu nas graças do público. Os motivos são mais que muitos. Desde a comida magnificamente confeccionada em  moldes tradicionais, passando pelo atendimento personalizado de Marco Aurélio e o seu pessoal até a simpatia da chef de cozinha, a D. Isabel. O restaurante conta com um número razoável de empregados, na sua maioria oriundos da Zambézia.

Os preços são convidativos - assim dizem os clientes fiéis da casa - bastam alguns meticais para se comer tudo o que se quiser. A galinha à zambeziana custa 220 meticais, a mukapatha 80 meticais, o mucuani e o feijao nhemba custam 150 meticais o prato e o quiabo com camarão está fixado em 160 meticais, tudo confeccionado à base de coco e em moldes tradicionais. Segundas, Quintas, Sextas e Domingos são os dias de maior procura. Os pratos levam no máximo 45 minutos a serem confeccionados.

Durante a semana, principalmente às Segundas, Terças e Quintas-feiras, os pratos mais procurados têm sido: a mukapatha, o quiabo com camarão e galinha à zambeziana. Mas, as alternativas não se cingem a estas iguarias, as opções são várias. O importante é não se entusiasmar com a beleza dos pratos que demonstram variadas nuances. Música não falta, principalmente aos Domingos, dia em que, por tradição, se podem desfrutar os ritmos da terra que só o músico da casa sabe servir nas proporções exactas. 
O segredo do sucesso dos pratos, segundo Marco Aurélio, está no cumprimento rigoroso da receita na hora de preparar e na humildade que consiste em “ser para ter”, pois ele acredita que “ter não é ser”.
O restaurante também serve por encomenda, e tem participado nas feiras organizadas pelo Ministério de Turismo.

Os pratos

Os pratos mais requisitados, em toda a cidade, por uma grande maioria dos apreciadores da cozinha zambeziana são a mukapatha, que pode ser servida com frango ou peixe de preferência assado, que ganha um sabor mais requintado se preparado em panela de barro. O frango à zambeziana e o mucuane, confeccionados com folhas da mandioqueira, camarão e papaia, podem ser acompanhados com xima ou arroz de coco. O quiabo com camarão, geralmente servido com xima feita com farinha de mandioca, é também uma refeição em que é possível apreciar cada ingrediente.

Os pratos típicos da Zambézia, na sua maioria, são normalmente preparados em ocasiões especiais e familiares. São relativamente fáceis de preparar, desde que se tenham os ingredientes e se sigam fielmente e na íntegra as receitas. Aqui ficam algumas dicas para preparar e manter o sabor da galinha à zambeziana e da mukapatha.

Para confeccionar a galinha à zambeziana deve-se ralar a polpa do coco para dentro de uma bacia, e deita-ser um pouco de água quente aos poucos, mexendo-se lentamente com as mãos até ficar um leite cremoso. O coco deverá ser espremido para se obter um melhor resultado. Com o frango limpo e temperado, este é assado em fogões a carvão em brasa e, à temperatura baixa, vai-se regando constantemente com o molho.

Para se preparar a mukapatha, é necessário lavar-se o arroz e o feijão soroco sem casca. Põem-se ambos a cozer numa panela com água e sal, durante vinte minutos. Ralados os cocos, e com um pouco de água morna, espreme-se o leite e junta-se ao preparado anterior. Deixa-se no lume, mexendo-se de vez em quando com uma colher de cozinha, até o feijão cozer e o molho secar. Deste modo, está pronto para servir.

Se porventura quiser experimentar outros sabores da cozinha típica da Zambézia, não se esqueça de degustar as sanavas, bolinhos feitos de farinha de arroz extraído da machamba, e as patanicuas (doces de coco).

In, Jornal @ Verdade

MUANA MUCHUABO KHANKALA BURUTO


Frederico Costa fala das suas ligações com a terra

O senso comum considera as pessoas oriundas da província da Zambézia trabalhadoras e batalhadoras. A concepção ganha mais vida, sobretudo, porque é sustentada pelo ditado local: “Mwana muchuabo khancala buruto”, que literalmente, significa: o natural da Zambézia nunca é bruto.

 

Nunca é bruto porque, segundo fontes locais, um filho deve estar minimamente treinado a ganhar a vida para não morrer à fome. Neste caso, se um chuabo não é pescador então é cozinheiro, se não for sapateiro deve ser um carpinteiro, se o destino não ditou que fosse piloto então deve ser um advogado, assim sucessivamente, mas nunca ficar sem nada para fazer.

Pelo país e além-fronteiras, encontram-se grandes figuras provindas dessa terra, desde cantores, políticos, jornalistas, académicos, apresentadores de rádio e televisão, entre outros. Só para lembrar, a falecida cantora Astra Harris e o nosso querido e saudoso jornalista Eusébio Casal, que Deus os tenha.
Procurando saber mais sobre o seu perfil, a terra e a sua gente, @Verdade conversou com Frederico Costa, apresentador do programa “Tudo às 10“ da TVM.

Costa nasceu há sensivelmente 50 anos no distrito de Lugela, província da Zambézia. Falando de si, diz estar bem com a vida e, apesar de radicado em Maputo, sempre mantém contacto com a sua província natal e está ligado à Comunicação desde 1984 como apresentador de rádio na sua província até 1994 quando veio para Maputo.

Em Maputo como apresentador de Televisão

Frederico Costa chegou a Maputo em 1995 a convite da antiga RTK-Rádio, quando esta acabava de abrir. Um ano depois, devido a algumas alterações na empresa, foi convidado para dirigir o sector ligado à televisão, onde produziu alguns programas. Porém, por causa de problemas de ordem funcional, a RTK desapareceu por muitos anos.

Devido à instabilidade da empresa, viu-se obrigado a dar novo rumo à sua vida. Nessa época teve a possibilidade de escolher duas opções: ir à Rádio Moçambique ou à Televisão de Moçambique, tendo escolhido esta última.

A TVM, que acabava de nascer - havia um novo edifício, os profissionais estavam entusiasmados, envolvidos com tudo e todos, fazendo com que cada um deixasse ficar o máximo de si.
Como apresentador de televisão, a sua carreira começa na TVM em 1998, através de uma direcção de programas, que permitia a todos os profissionais deixar a sua inspiração em jeito de criação que depois daria num programa.

Mas, a produção era muito carente e ficou a proposta sobre quem queria fazer um programa, em exclusivo, e alusivo ao dia 25 de Junho de 1998. Costa submeteu o seu projecto com os demais profissionais. Nesse processo nasceu o seu antigo programa,  “Convívio de Amizade” que considera ter sido  um sucesso e que durou cerca de 10 anos.

Foi assim que começou a fazer, efectivamente, televisão. Daí para cá, produziu vários programas de acordo com as necessidades da TVM. Actualmente, na companhia de Zita Ananias, apresenta o “Tudo às 10” que vai ao ar de segunda a sexta-feira às 10 horas.

Ligações com a terra

Apesar de estar longe das origens, Frederico Costa, continua ligado à terra que lhe viu nascer, através de contactos e algumas idas regulares.
Nesta ordem de ideias, fez parte do grupo fundador de uma comunidade sedeada em Maputo que comemora todos os anos, em Agosto, o aniversário da cidade de Quelimane, capital da província da Zambézia.

É também um movimento de apoio e ao mesmo tempo de reencontro de zambezianos que residem fora e que queiram partilhar recordações das velhas amizades, apresentar os filhos, conhecer outras pessoas, etc.
Por outro lado, o nosso interlocutor não descarta a hipótese de voltar a trabalhar na sua terra, em qualquer que seja a actividade. Todavia, considera que, devido ao actual estágio da sua actividade, seria um bocado complicado, pois que as pessoas auto-afirmam-se no seu labor de acordo com as tendências que têm.

Sobre a gastronomia da Zambézia

À volta da famosa gastronomia e os deliciosos pratos zambezianos, a fonte diz ter a ver com o passado. É que, na Zambézia, principalmente para aquelas famílias tradicionais, o almoço começa às 10 horas da manhã até depois das 21 horas e não se repete nada, portanto, é duma diversidade fantástica. Os pratos da Zambézia não são caros.

Falando sobre os seus pratos preferidos no mundo desta famosa gastronomia, o nosso interlocutor disse apreciar uma boa galinha à zambeziana, um bom mucuani, mucapata e dentre outros pratos, concluindo ser um bom “garfo”, razão pela qual, para si, é dificil distinguir uns pratos dos outros, visto que cada prato é mais gostoso que o outro.

Em Maputo não frequenta restaurantes especializados em comida zambeziana, primeiro por não ser amigo de restaurantes, segundo porque tem uma família, que faz questão de proporcionar, regularmente, pratos à zambeziana sem ser necessário deslocar-se a um restaurante.
Segundo o seu ponto de vista, muitos restaurantes estão a adulterar as receitas! Alguns põem, por exemplo, frango à zambeziana, quando do mesmo não há nada de zambeziano. O objectivo disso é, obviamente, vender mais.

O apresentador de “Tudo às 10”, diz sentir-se realizado e estar de bem com a vida, sobretudo pela relatividade com que o conceito se apresenta. Na sua opinião, sente-se encantado por estar vivo e usufruir dos momentos que essa mesma vida lhe proporciona. Basta-lhe que o sol nasça e acorde com saúde, não é apegado aos bens materiais!

Para o nosso entrevistado, o povo zambeziano é maravilhoso e a sua terra só não foi considerada “terra de boa gente” porque Vasco da Gama se enganou.


in Jornal @Verdade

Terça-feira, Maio 12, 2009

O azar de ser zambeziano

“A verdadeira face dos nossos Deputados”

A vida me ensinou a conhecer a face oculta das pessoas, quando nos anos 2002 , 2003 e 2007 respectivamente em Nampula, Mocuba e Maputo, tive a experiência amarga de ser um ser pensante; até me recordo que cheguei a amaldiçoar o dia do meu nascimento nesses três anos. Essa experiência amarga foi para mim uma autêntica terapia para ver o mundo com dois olhos.

Cheguei mesmo a concluir que na verdade a nossa parceira nunca é família. Cheguei até de me recordar de certos episódios do meu pai já falecido, segundo os quais “O Homem é uma ditadura contemporânea”.

Na altura eu nem entendia nada porque tinha uma idade inocente.

Mas o tema de hoje não é para falar de mim; não senhor; vou falar dos outros como de costume, porque esses outros falam de mim e de outros. Vou continuar ainda a falar sobre a nossa terra Zambézia.

Após a independência, a Zambézia ficou inundada de analfabetos sem nenhuma profissão escoados do sul do País para serem os nossos governantes. Recordo-me até que alguns aprenderam a assinar o seu próprio nome nos seus gabinetes!! Enfim, foi uma fase que nem dá para recordar. Volvidos anos, eis que Moçambique passa a enveredar pelo processo democrático abrindo espaço para criação de partidos e, consequentemente os representantes do povo – os vulgos Deputados. Sem excepção alguma, Zambézia sempre elegeu os seus representantes para defenderem os interesses do povo e servirem de porta-vozes (não como Mazanga nem Edson Macuácua) mas sim porta-vozes para assuntos que mexem com a sociedade indefesa. O meu espanto porém, é de que os supostos deputados da bancada maioritária do nosso círculo, parece que não conhecem a realidade da sua província. Os atrevidos que procuram falar na tentativa de agradar os seus camaradas para pelo menos renovar o mandato, esses quando abrem a boca só falam bujardas procurando esconder a verdade. Até parece que vivem noutro planeta - no Júpiter ou mesmo no Plutão. Mil vezes aquelas minhas titias e alguns titios que nunca abriram a boca.

Aliàs, abrem a boca na hora do lanche. Mas penso que fazem muito bem e evitam falar asneiras.” Mil vezes manter-se calado do que ofender o diabo”.

Os tais representantes do povo que assumem defender os interesses da nossa juventude na casa magna, são outros invisíveis e ausentes-presentes, aumentando apenas o número dos dorminhocos e a espera do apito final.

A bancada minoritária do nosso círculo, que também está em vias de extinção se assim eles desejarem, esta sim, tem procurado dizer a verdade, verdade essa que tem sido contestada pela maioria, por serem da oposição. Mas queiramos como não, a bancada minoritária apesar de tudo tem dito a verdade.

Vêem ai as conturbadas eleições já habituais. É altura de pensarmos em quem votar para melhor nos representar e nos governar. Não sei se fica bem votar em pessoas que não aceitam mudanças.

Tivemos muita experiência nas autarquias. Quelimane é o pior município de Moçambique, com os seus buracos a servirem de cartão de visita. As nossas ruas só são minimizadas quando há eventos políticos para inglês ver. Aliás, nem é para inglês ver; mas sim para entreter ou enganar nalgumas vezes o Chefe do estado numa de que tudo anda muito bem.

Mas que pouca vergonha, se tivéssemos essa tal vergonha?!! A quem é que enganamos quando fazemos isso?

Hoje Zambézia, já se diz que virou suposto monopólio de Manhungues e a etnia Sena.

Quer dizer, de Machanganas nos anos 75 até mais ou menos finais do ano 90; agora os supostos Manhungues! Mas que brincadeira, meus senhores?!! Até quando esse aludido espezinhamento?

Quando é que vamos deixar de ser oprimidos? Acham lícito ser estrangeiro na sua própria terra em pleno Século XXI?

Chegou o tempo de mudanças e temos que pensar as formas de como desenvolver a nossa terra. Acredito que um dia você que está a ler agora este artigo, vai-se recordar de mim quando as coisas estiverem de mal a pior, se é que você ainda está a dormir. O que é que você espera para desenvolver a sua terra?

Acordemos, meus irmãos!

DIÁRIO DA ZAMBÉZIA – 12.05.2009

Por: Rondinho Calavete

Ps. Muito interessante este texto. Cheguei a pensar que moçambicanos eram os nacionais de Moçambique e que Moçambique era um estado uno, soberano, indivisível. E pensei também que as etnias nunca prevaleceriam sobre a nacionalidade. Estou enganado? Ou é confusão entre país e o quintal da casa? Enfim regredimos politica e socialmente nestes últimos anos. Está visto!

Terça-feira, Abril 28, 2009

Sede do Governo da Zambézia

Terça-feira, Abril 14, 2009

Save Us, Lord


Campanha contra a SIDA - Zambézia

SIDA


Sexta-feira, Março 13, 2009

Crime violento aflige Quelimane

CRIMES violentos estão a aterrorizar os munícipes da cidade de Quelimane desde o início do presente mês de Março. Casos de assassinatos, esfaqueamentos, assaltos a residências, à calada da noite, e na via pública em plena luz do dia são cenários que quase todos os dias se repetem perante um quadro de desproporcionalidade de estratégias entre as autoridades policiais e os malfeitores. Quelimane ressente-se desta acção, o que se traduz na insegurança dos seus citadinos, que clamam por uma maior acção das autoridades para contrariar o mal.

Quinta-feira passada uma professora que lecciona no curso nocturno numa das escolas de Quelimane ficou gravemente ferida com uma catana. Eram cerca das vinte e três horas e estava de regresso à casa. Na disputa com os dois homens acabou ficando ferida. A Polícia diz que duas pessoas estão detidas em conexão com este caso.

A Polícia diz que a pessoa que lidera o grupo dos malfeitores que actuam com recursos a catanas foi neutralizado e já confessou o crime. Um outro cidadão ficou gravemente ferido depois de catanado na cabeça no bairro Torrone Novo, tendo os gatunos se apoderado da sua motorizada.

A Polícia conhece os bairros mais problemáticos em termos criminais, nomeadamente Torrone Velho e Novo, 25 de Setembro, Manhaua, entre outros locais. Nas redondezas do Cemitério da Saudade, onde ocorreu o assassinato de sábado é uma zona problemática e a Polícia diz que tem feito patrulhamento permanente mas há sempre notícias de assaltos.

No centro da cidade, por exemplo, desde a Farmácia Quelimane, passando pela Mesquita Central, até Geralco actuam dois grupos de larápios. Uns dedicam-se ao furto de reprodutores de viaturas e telefones e outro de bicicletas e carteiras das senhoras.

Entretanto, a Polícia da República de Moçambique na Zambézia afirma que reconhece que há uma desproporcionalidade de estratégia no combate ao crime. Segundo Ernesto Serrote, os criminosos têm urdido estratégias para se desenvencilharem das operações policiais. Eles são pessoas, procuram formas próprias para agir, o que temos de fazer é ir procurando novas estratégia de luta para contrariarmos a sua acção, disse a fonte.

Maputo, Sexta-Feira, 13 de Março de 2009:: Notícias

E a PRM sabendo disso e dos locais o que fazem? nada? estão muito ocupados a beber 2M?

Quarta-feira, Fevereiro 25, 2009

Quelimane 2009




Fotos por Joakim

Micaune


Retirada da net. Autor desconhecido

Quarta-feira, Fevereiro 18, 2009

Carnaval em 1972

 

Quelimane, Carnaval de 2009

Foto de Mansir Petrie

Para mais fotos veja em: Carnaval de Quelimane 2009

Falta de chuva provoca violência

Os confrontos que resultam da falta de chuvas em algumas regiões costeiras da província da Zambézia, nomeadamente Quelimane, Nicoadala e Namacurra já produziram três mortos, doze feridos, cinco dos quais agentes da corporação policial e um elevado número de desalojados que continuam ainda ao relento.

As acusações de “amarrar chuva” em regiões como Quelimane, Maquival, Ionge, Namacata no distrito de Nicoadala e Macuse, Mixixine, Forquia, em Namacurra, não são novas, só que este ano a situação atingiu contornos criminais jamais vistos na história da província da Zambézia.

Se não chove é porque alguém “amarrou” a chuva e esse alguém só deve ser aquele que num momento de seca tem uma vida mais desafogada. Este é, pelo menos, o senso comum das pessoas entrevistadas pela nossa Reportagem em Mixixine, em Namacurra, Maquival e Zalala, em Nicoadala, Micajune e Namuinho, na cidade de Quelimane. Todas as vítimas ou acusados de prenderem a chuva são empreendedores que com sacrifício e trabalho abnegado, trabalhando debaixo do sol escaldante, brotando suor dos seus corpos procuraram melhorar as suas vidas e das suas famílias. Uns vendem aguardente de fabrico caseiro, transportada para Quelimane e no seu regresso levam de volta produtos como leite, bolachas, capulanas, óleo alimentar, entre outros, para revenderem nas suas bancas fixas. É assim que vão lutando de forma honesta pela vida, como é o caso de Henrique Manuel, em Mixixine, que viu as suas duas casas queimadas injustamente devido à fúria de populares que acusam-no de “prender” chuva só porque tem braços para trabalhar e cabeça para pensar.

Os nossos entrevistados alegam que Henrique Manuel tem amarrado a chuva como forma de os populares locais não terem recursos de sobrevivência e assim recorrerem aos seus produtos. Entendem ainda que assim ele fará sempre lucros fabulosos a custo do sofrimento de outros que nas suas machambas não têm água para cultivarem o arroz.

A percepção popular do assunto parece dogmática, pois não se pode questionar muito das provas que os declarantes têm para acusar terceiros. Quando a nossa Reportagem questionou Domingos Luciano, em Mixixine, este chegou a acusar a nossa Reportagem de estar “juntos” com aqueles que prendem a chuva. “Nós sabemos, porque nós somos daqui e conhecemos os malandros”, sentenciou o nosso entrevistado perante a ovação de outros que no momento do inquérito rodeavam o repórter.

Há neste momento uma crença bastante forte nas comunidades de que é possível que alguém dotado de poderes mágicos possa impedir a chuva. Esta maneira de pensar é própria de comunidades que continuam ainda amarradas ao obscurantismo e bruxaria. É como se essas comunidades não tivessem evoluído e continuam a pensar de uma forma arcaica.


17 Fevereiro 2009 12:24 Escrito por MAXIMUM CONSULT

Domingo, Janeiro 18, 2009

O Bibliotecário

Quelimane: o Bibliotecário

Foi durante muitos anos o Bibliotecário. Primeiro, numa sala sem grandes condições, num pequeno edifício de paredes amarelas muito perto da Câmara Municipal. Depois, talvez desde 1974, num edifício de arquitectura moderna.

Durante muitos anos, gerações de leitores conviveram com ele, o Bibliotecário – Guilhermino Gonçalves de Sousa. O último Bibliotecário de Quelimane, enquanto cidade portuguesa. O primeiro, e durante pelo menos dois anos, Bibliotecário de Quelimane enquanto cidade moçambicana.

Faleceu em, 08/12/17, cerca de uma semana depois de ter celebrado o 85º aniversário (08/12/08). Em Almeirim, em Portugal, onde se radicou. Depois de muitos anos a promover os livros, que gerações de quelimanenses leram…


Domingo, Janeiro 11, 2009

Serra da Morrumbala

Sexta-feira, Dezembro 12, 2008

Linha de Mocuba - a agonia do metal

Linha de Caminho de Ferro de Quelimane para Mocuba
Arqueologia férrea. Aqui as automotoras usavam pneus de borracha.

Foto de autor desconhecido - retirada da net

No Chinde

Chinde - Foto da net, autor não identificado

MONTE BINGA - Casamentos tradicionais no Chinde

O distrito do Chinde fica situado na zona sul da província da Zambézia, limitando-se, a norte, pelo distrito de Inhassunge, a oeste pelo distrito de Mopeia, a este, pelo Oceano Índico e a sul, pelo distrito de Marromeu, em Sofala, através do rio Zambeze. A sua sede distrital, uma ilha encravada no delta do Zambeze, dista a cerca de 70 quilómetros a sul de Quelimane, a capital provincial da Zambézia.

Administrativamente, o distrito está dividido em três postos administrativos (Chinde, Micaune e Luabo), compostos pelas localidades de: Vila de Chinde, Matilde, Mucuandaia e Pambane, pertencentes ao Posto Administrativo-Sede, Luabo, Mangige, Nzama, Rovuma, Samora Machel e 25 de Setembro, ao Posto administrativo de Luabo e Arijuane, Magaza, Micaune, Mitange e Nhamatamanga, ao Posto Administrativo de Micaune.

A língua predominante é “maindo”, que é falada pela maioria da população do distrito, calculada em mais de 130 mil habitantes e que cobre os postos administrativos de Micaúne e sede distrital. Os habitantes do Posto Administrativo de Luabo, comunicam-se pela língua nacional Chissena.

Nas regiões de Sombo e Matilde, a sul da vila-sede do distrito e Maimba, em Micaune, a língua maindo começa a perder originalidade, admitindo a ocorrência de palavras da língua chissena. Essa língua que resulta da mistura de maindo com chissena, falada predominantemente a Este de Luabo, chama-se Podzo.

Na parte nortenha do Posto Administrativo de Micaune, ou seja as localidades de Mitange, Arijuane e Magaza, a língua maindo começa igualmente a sofrer alterações, sobretudo no sotaque, que começa a confundir-se com Chicarungo, falada em Inhassunge e que se assemelha a Chuabo, predominante na cidade de Quelimane e arredores.

Diferentemente da chamada “Alta Zambézia”, que compreende os distritos a norte da cidade de Quelimane falantes da língua lomuè, cujos casamentos são matrilineares, Chinde e outros distritos da Zambézia situados ao longo do Vale do Zambeze, perseguem o regime patrilinear, ou seja, o homem é quem manda em casa.

Neste distrito, a iniciativa do casamento pertence ao homem, a quem cabe a responsabilidade de propor o namoro, embora a mulher tenha pleno direito de sugerir as melhores modalidades a serem seguidas e os contornos pelos quais devem decorrer as diferentes etapas das cerimonias matrimoniais.

O casamento no distrito do Chinde inicia com o namoro, através do qual o homem apaixonado propõe a namorada para sua futura esposa. Este encontro, regra geral, decorre em locais de diversão nocturna, na sua maioria caracterizados por danças tradicionais, sendo a mais influente “Ibondo”.

Mais tarde, com a presença de aparelhagem musical trazida pelos chamados “madjonidjoni” ou seja, indivíduos que trabalham na África do Sul, a diversão nocturna poderia ocorrer nos chamados clubes nocturnos, onde decorriam os bailes localmente designados “Chinguere”.

Os clubes, também conhecidos por assembleias, eram feitos de material local precário, mais precisamente folhas de coqueiros e estacas de “micándala” ou outros paus extraídos em matagais e mangais, abundantes na região costeira do distrito. Normalmente eram construídos debaixo de árvores frondosas (mangueiras e cajueiros), para conferi-los a necessária escuridão, que era do interesse dos bailarinos, na sua maioria jovens.

Mais tarde e apesar da oposição dos jovens, foram usados petromaxes para iluminar os referidos locais de diversão nocturna. Nesses convívios, por causa da forma como as danças eram executadas, normalmente em pares de homens e mulheres assegurando-se pelas costas e nádegas, a semelhança do que acontece actualmente com as chamadas “passadas”, os dançarinos poderiam apaixonar-se e a partir daí desencadear uma relação amorosa que pode culminar em casamento.

Porem, nem tudo era uniforme. Alguns pares, mesmo aquelas que as danças os pudessem conduzir a inevitável atracção mutua, não chegavam a contrair matrimónio, terminando apenas no amantismo.

Outras das formas não menos usadas de namoro e que resistem aos imperativos das mudanças que o tempo impõe na mente, hábitos e costumes dos homens, consistem em os pais escolherem esposas e maridos para seus filhos e filhas.

Este método, por ser potencialmente compulsivo e retrógrado e, obviamente menos apreciado pelos jovens modernos, tende a desaparecer. Quanto menos, o que os pais e familiares em geral podem fazer para ajudar seus filhos e filhas na escolha de futuros genros ou noras, é identificar a pessoa e, por métodos subtis, propor ao interessado para análise e aprovação.

Este processo, porem, é de difícil aplicação para as meninas que não tem a liberdade de escolher, por iniciativa própria, os futuros esposos. Aliás, qualquer mulher que assim proceda, será recusada e poderá ser acusada de mil e uma coisas, incluindo feitiçaria, pois não é admitido, por tradição local e, por extensão, a algumas regiões do pais, mulheres proporem o namoro aos homens.

Se tiver iniciado o namoro, o rapaz e a rapariga, normalmente depois de se conhecerem sexualmente, combinam uma apresentação em casa dos pais da namorada, como forma de formalizar a intenção (perdoem e redundância). O rapaz, depois de informar a sua intenção aos seus pais, arranja um padrinho, usualmente mais velho que ele, conhecido por “sebueni”, para se deslocarem a casa dos pais da noiva, para a chamada cerimonia de apresentação designada “buhdueia”.

Para esta cerimónia que geralmente decorre a noite, entre 19.00 as 21.00 horas, o rapaz, acompanhado do seu “sebueni”, leva consigo cinco litros de “sura” - uma bebida alcoólica extraída a partir da seiva do coqueiro, e dinheiro numa importância equivalente a 50 meticais, ou escudos no tempo colonial.

A menina tem a obrigação de informar aos pais, por via da mãe, a intenção e o projecto amoroso em edificação. Nessa altura, a apaixonada aproveita anunciar a presença dos “hóspedes” para efeitos de apresentação. Caso os pais consintam, marca-se a data e o noivo aparece.

A chegada, a recepção da encomenda de “sura”, pelos parentes da namorada, é indicador que evidencia o consentimento dos pais face ao pedido da filha.

Desta feita, convidam-se os hóspedes para entrarem e se sentarem, normalmente dentro de casa, a luz de candeeiro, já que energia eléctrica pertence ao passado, com excepção da sede distrital.

A conversa inicia depois do jantar. Aqui, o pai, em representação da família e na presença da mãe e irmãos da “moça”, pergunta-a se conhece ou não o rapaz ora presente. Ela, regra geral, responde positivamente, pois a chegada do rapaz a casa dos futuros sogros tem sido de consenso mútuo dos namorados, sendo raras as vezes que a donzela pode surpreender o namorado com uma recusa.

Como prova de que tudo correu bem e que o rapaz foi aceite, vai-se buscar a “sura”, coloca-se nos copos e os familiares da rapariga partilham, após um brinde que começa com o pai a entornar, ao chão, um pouco da bebida para os espíritos. Nesta ocasião, mesmo sendo oferecido, o noivo deve recusar-se a beber, pois se o fizer, será conotado como bêbado e falta de respeito pelos mais velhos, e isto pode chegar a inviabilizar o projecto matrimonial.

* VICTOR MACHIRICA
Maputo, Sexta-Feira, 12 de Dezembro de 2008:: Notícias

Sexta-feira, Dezembro 05, 2008

N'UM VAL'PENA! - N'chuabo!


Hoje estou mais light. Não trago qualquer crítica social e do quotidiano. Ia ruminando um assunto para esta semana quando de repente deu-me um baque de saudade para com uma santa terra. Santa a terra e os seus simpáticos e solícitos habitantes: Quelimane. O chamado pequeno Brasil. Ainda hoje não sei bem por que lhe chamam “pequeno Brasil”. Há-de ser de certeza pela beleza das mulheres, pela propensão à diversão de arromba e, sobretudo, pelas espectaculares noites de Carnaval típico.



A riqueza cultural é espectacular. Eu gosto de Quelimane. Foi lá onde cresci e fiz amigos. E identifico-me com aquela cidade e gente.

Por isso estava em dívida. E como em qualquer caso de dívida o peso e remorso de consciência caem sobre nós. Vivi em Quelimane, para onde os meus pais foram transferidos nos longínquos anos 80, parte da minha infância e toda a juventude. Aliás, há quem nem acredite que não tenha nascido lá. Então como falar sobre uma terra, Quelimane, que me fez homem? Como falar de N´chuabos neste diminuto mas simpático espaço do N´um Val´Pena? Como falar da Escola Primária Vasco da Gama (como se chama hoje) e do simpático contínuo Sr. Moçambique, a quem subornávamos com mutxapaué (perguntem um n´tchuabo o que é mutxapaué) para tocar o sino um pouco mais tarde? Ainda assim, o velho Sr.

Moçambique, ainda a mastigar calmamente o mutxapaué objecto do suborno, traía-nos, tocava o sino e, de varreta à mão, nos mandava à sala de aulas, onde íamos encontrar a professora Argentina. Como era má?! Não vala pena! E do Ciclo! Que saudades. Dizem-me que hoje a escola dá pelo nome de Patrice Lumumba. Ali tínhamos que chegar o mais cedo possível para ter onde sentar e ainda assim esperar e rezar para que os musculosos arruaceiros irmãos angolanos não te tirassem a carteira. Onde estarão aqueles gajos durões angolanos? O Carlos Jossias, hoje na RTP, experimentou as manápulas daqueles tipos. Muitas vezes, porque era teimoso. E as aulas de português com o temível professor Jafar! Aquele indiano metia medo: não se ria nunca. Estava sempre sisudo e mal disposto. Mas dominava a gramática que era uma coisa incrível! Na altura contávamos todos os dias os sumários de cada disciplina porque à centésima lição tínhamos uma festança, muitas vezes impulsionadas pelo professor Frederico Costa, hoje exímio comunicador. Um abraço ao Costa.

Mas, definitivamente, a “25 de Setembro” foi a mais marcante. Desde a relação com os professores e funcionários, à entreajuda e ao orgulho de estar numa escola chamada “pré-universitária”. Desde os professores estrangeiros, cubanos, ingleses, russos, dinamarqueses, portugueses, à entrega voluntária dos Irmãos de fé da catedral nas aulas de Português e Biologia. Ah, já agora, o Irmão Reis, professor de Português, bonacheirão, redondinho e que se irritava facilmente, surpreendeu um dia desses o Carlos Crispim, na altura muito indisciplinado, hoje um funcionário bancário sénior e ( aparentemente ) sério, em cima de uma mesa a discursar. Na altura que o leigo entrou e porque estávamos todos distraídos e às gargalhadas, o Crispim estava mesmo a dizer que “o Irmão Reis tinha vindo de calções e camisa interior”. Estão a perceber como ficou o Irmão Reis? Vermelho que nem a popa de um tomate. Como castigo ficámos duas semanas sem aulas. Grande castigo! E os professores cubanos eram espectaculares.

Jogavam futebol aos sábados com o pessoal e não havia mesquinhice de aluno/professor, os gajos khenhavam muito e não raras vezes quase andávamos aos murros. Mário Lobo, um colega arruaceiro por tendência, fazia questão de estar na equipa contrária à dos cubanos. Só para ter o prazer de os khenhar.

Dia seguinte, uns mais lesionados que outros, não havia papo. Como me esquecer da bonita professora Rosa Maria, de Matemática, que quebrava os corações da malta. Era tão bonita e simpática que até gostávamos de Matemática. Vejam lá só! Ficávamos ali a suspirar e a imaginar coisas enquanto a professora dava aulas e nem dávamos pelo tempo. E até pedíamos aulas de “recuperação”. Com a professora Lucinda Trigo o cenário era o mesmo. Linda a professora. Sobretudo inteligente e comunicadora. As aulas de Educação Física eram autênticas maratonas de busca de saúde física. Silvestre Domingos era e é o ícone da cultura física em Quelimane. Malabarista nato. Julgava-se o James Naishmith da Zambézia. Com ele calcorreámos o país jogando básquete e fazendo delirar plateias com o nosso jogo-espectáculo.

As grandes noites de básquete e do Sabadão ali no Desportivo (dizem-me que hoje se chama Pavilhão do Benfica, recuso-me).

Das tardes dançantes na Casa de Cultura e do Carnaval é melhor nem falar.

Em Quelimane e com as suas simpáticas gentes ficou o meu coração, saudade e eterna amizade.

Ciao amigos!

Leonel Magaia

in, Jornal Notícias

“VERDES CAMPOS”: um sucesso feito pelos admiradores

“VERDES Campos” é um tema que fez tanto sucesso. Tem uma mensagem que ainda se aplica na actual realidade do país. Ainda há muita terra por trabalhar, muita gente por educar e sacrifícios, esses ainda são muitos que devem ser feitos para que se atinja o bem estar para os moçambicanos.

Mas o sucesso da canção, que parece vir do nada, não tem explicação nem para Pedro Machado nem para muitos que adoraram a canção em tempos. “Não sei dizer, sinceramente, o que terá acontecido exactamente com aquele disco. Os nossos admiradores na altura é que na verdade fizeram o sucesso talvez devido ao seu teor, a sua forte mensagem que levantava aquilo que eram os grandes desafios do país”, comenta. O tema que dá título ao único trabalho editado do 1º de Maio faz referência a necessidade de formar muitos moçambicanos, acabar a abertura de muitas estradas, cultivar muita terra, o que paulatinamente ainda está a ser feito. Deve ter sido pelo contexto em que o nosso país se encontrava que o Presidente Samora Machel escolheu a cação para lançar o IV Congresso da Frelimo. Samora cantou a música assobiando. Isso também ajudou o disco a tornar-se num dos melhores da altura. Recordando-se desse sucesso, Pedro Machado diz que “em quase todos os espectáculos em que actuávamos as pessoas pediam-nos ‘bis’. Para nós, foi bom porque éramos um conjunto que estava a nascer e tinha muita força. E éramos todos jovens. Animamos muitas noites de Quelimane e não só. Os admiradores é que fizeram de ‘Verdes Campos’ o sucesso musical que foi”. O conjunto do 1º de Maio durou apenas treze anos, divididos em duas fases. Foi fundado em 1980 da fusão de outros dois conjuntos de Quelimane, nomeadamente Continuadores e Cometa. A primeira fase compreendeu a gravação do seu LP “Verdes Campos” e o desaparecimento físico de alguns dos seus membros. Foi um momento muito triste para a banda, uma vez que o 1º de Maio já era de si uma grande família. A segunda fase do grupo, nos meados da década de 1980, é a de “coragem”. Segundo Pedro Machado, depois do mau período, seguiu-se a etapa da coragem, porque “levámos o barco a bom porto apesar das dificuldades que foram aparecendo”. “Há um ensinamento que o Biriba, o mais velho elemento do grupo nos deu: ‘sempre que aparecer uma tempestade temos que ganhar forças para continuarmos com o barco’. Nessa altura, os elementos do conjunto como Fernando, Ibraimo, Trigueiro, Litos e Armindo Salto avançaram no projecto de manter vivo o agrupamento. Não tínhamos aparelhagem e abordei a questão a Mário Machungo, então primeiro-ministro, numa das vezes que veio trabalhar a Quelimane e ele falou com o então Secretário do Estado das Pescas, Tenreiro de Almeida, para solucionar o problema. Dias depois recebemos uma aparelhagem novinha e completa vinda do Japão”, conta Machado. Mas porque não se pode viver de música em Moçambique, uma vez que ela “não dá quase nada senão o gosto de a produzir”, em 1993 não houve maneiras de como evitar que a banda se desfizesse. Os elementos do agrupamento, já maiores de idade, decidiram abraçar outras actividades na vida. “Todos estão empregados e os que não quiseram ter um patrão estão a fazer trabalhos a conta própria e estão bem sucedidos. O Carlos Sócrates tem um estúdio próprio em Lichinga depois de ter estado nos Massukos. Outros estão em Quelimane, Xai-Xai e na Beira”.

Apesar da distância que separa fisicamente os elementos da banda, eles mantêm periodicamente contactos e não se esquecem da terra que os viu nascer, Quelimane. Pedro Machado diz que há troca de informação sobre o que fazer para fazer renascer do conjunto.

in Jornal Notícias

Segunda-feira, Dezembro 01, 2008

Edilidade transforma estradas em talhões

Torna-me difícil entender se é incompetência, ou incapacidade ou fuga de responsabilidades ou então algo similar que torna complicadol atribuir adjectivação possível sobretudo quando se trata de um órgão municipal cujo timoneiro foi reconduzido para mais cinco anos afrente dos destinos dos Quelimanenses.
Ora vejamos, a estrada Heróis de Libertação Nacional entre o chamado jardim dos namorados na sagrada família até nos chamados três prédios sujos, ali onde começa a rua Lurdes Mutola antes de chegar no cruzamentos dos capuchinhos encontra-se seriamente fustigada por erosão que a qualquer altura pode engolir em definitivo a estrada. E este factor associa-se ao facto que passou para normal o de buracos na cidade de Quelimane. Curiosamente ao que me deixa espantado é que ao envés de procurar soluções para mitigar os efeitos decorrentes da erosão a edilidade simplificou a situação tendo decidido fazer de sentido único apenas para quem entra na cidade, não se sabendo em casos de acelerar a erosão se será ou não cancelada. Estão bastante prejudicados os moradores das duas margens da estrada que devem fazer uma grande volta para chegar as suas casas. E isto acontece numa altura em que o forte da campanha eleitoral do sucessor da sua sucessão Pio Matos tinha como o seu forte o melhoramento das estradas, algo incongruente.
E quem fala da avenida heróis de Libertação Nacional fala da já extinta rua Emília Daússe que partia nas proximidades da Mozauto para a parte traseira da Casa Cultura onde igualmente foi fechada a rua que partia do bar far west passando pela casa paroquial da catedral, fala igualmente do já recente caso do encerramento do prolongamento da rua 1 055 que passa pelo bairro Kansa. As três ruas encerradas que de certo modo mudaram o figurino da cidade foram transformadas em talhões e já estão em marcha construções de raiz de grandes habitações de considerados homens de costas quentes.
Rosário dos Santos

Sexta-feira, Novembro 07, 2008

Macuse

Autor desconhecido, retirada da net